Tempos e Espaços nas Comunidades Rurais do Alto e Médio São Francisco em Minas Gerais

Tempos e Espaços nas Comunidades Rurais do Alto e Médio São Francisco em Minas Gerais

uma pesquisa interdisciplinar sobre permanências e mudanças de modos de vida em comunidades rurais e ribeirinhas (livro coletivo da UFU)

uma pesquisa interdisciplinar sobre permanências e mudanças de modos de vida em comunidades rurais e ribeirinhas (livro coletivo da UFU)

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Tomados no seu conjunto e lidos na unidade de cada um, os relatórios do projeto Tempos e Espaços nas comunidades rurais no alto e médio São Francisco, Minas Gerais – uma pesquisa interdisciplinar sobre permanências e mudanças de modos de vida em comunidades rurais ribeirinhas pretendem “olhar” e compreender o “situado sertão”, desde uma dupla diferença.

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A primeira é aquela em que um aparente mesmo “sertão do Norte de Minas Gerais” desdobra-se em suas várias e diferentes faces. Faces que são as de uma natureza que vai das nascentes do rio São Francisco, em plena Serra da Canastra, até lugares por onde os velhos vaporzeiros o cruzaram durante anos e anos, rio-abaixo (descendo para o Norte) ou rio-acima (subindo para o Sul). Um múltiplo universo de diferentes e até quase opostos espaços, lugares, territórios, paisagens, cenários que vão das ilhas e corredeiras do interior do grande rio, até as chapadas altas, em direção ao “sertão seco” entre os dois vales, o do São Francisco e o do Jequitinhonha.

Faces que são também as dos lugares sociais, comunidades onde ao longo dos anos, desde muito tempo ou apenas agora, recentemente, pessoas, famílias e grupos humanos “assentaram” em ilhas, em barrancas e beiras d rio, em veredas e vazantes, em porções quase áridas do sertão, onde ele já é quase mais a caatinga do Nordeste do que o sertão de grandes águas, veredas e lagoas dos escritos de Guimarães Rosa.

Entre um trabalho de campo e outro nós encontraremos sertanejos que raramente usam para si mesmos este nome. Homens e mulheres que preferem dizer de si mesmos os nomes de seus trabalhos: pescadores, lavradores, vaporzeiros, ou os nomes que lhes emprestaram os lugares naturais do sertão de sertões: ilheiros, beradeiros, barranqueiros, vazanteiros, veredeiros, chapadeiros, caatingueiros, geralistas. É com eles que nos encontraremos.

De outra parte, ao lado de um recorte mais geográfico, um outro recorte também acompanha os nossos trabalhos. Sob a aparência apenas ilusória de que os sertões nortemineiros são palco de “antigas civilizações ganadeiras”, como os seus pioneiros povoadores, após os povos indígenas que eles mesmos ajudaram a massacrar e a expulsar, e que por a parte apenas as mais arcaicas e passadistas “comunidades tradicionais” podem se encontradas, eis que nos vemos frente a frente com um também diacrônico cenário múltiplo indicador de vários tempos. Ao lado de “velhas comunidades”, encontramos nos imensos espaços percorridos por nossas pesquisas, terras de quilombos, assentamentos e acampamentos de movimentos de luta pela terra, neocomunidades recém estabelecidas.

organizadores: Alessandra Fonseca Leal e Carlos Rodrigues Brandão

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