Crônicas de Ons

Crônicas de Ons

escritos sobre aldeias da galícia

Capa de Livro: Crônicas de Ons

escritos sobre aldeias da galícia

Trecho:

Mais de duas décadas depois de haver vivido por uma primeira vez em terras de Galícia, e de haver partilhado aquilo de que em boa parte resultou neste livro, decidi-me a escrevê-lo. Melhor dito: resolvi-me a reunir escritos mais e menos antigos e colocá-los juntos, como um conjunto de relatos de pesquisas de campo em aldeias ou entre caminhos galegos. O ano foi 1992.

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Um outro livro dá sequência a Crônicas de Ons. Seu título é Com o Sol do Outono sobre os Ombros. Ele foi inicialmente pensado como uma “segunda parte” das Crônicas. A primeira ideia era a de um só livro. Mas como em tempos em que um livro “de bom tamanho” não deve ultrapassar algo como duas centenas e meia de páginas, resolvi então dividi-lo em dois volumes. Um e o outro são livros de crônicas, bem mais do que de rigorosas etnografias, ainda que tenham sido escritos por um antropólogo, e muito embora os dias que me ocuparam ao longo de vários meses e quatro estações junto a pessoas, cenas e cenários das aldeias da Paróquia de Santa Maria de Ons, devam ser considerados como dias, semanas e meses de uma rigorosa e densa “pesquisa de campo”, no sentido mais etnográfico possível desta expressão. Pensemos um escrito longo e (des)situado entre antropologia e a antropoética.

Talvez então seja mais justo dizer que tanto Crônicas de Ons quanto Com o sol de outono sobre os ombros alternam momentos, ou capítulos mais própria e rigorosamente etnográficos, com momentos em que tudo o que desejo dizer o que vivi e recordo, entre as com palavras uma pessoa, o seu rosto, alguns gestos coletivos ao redor do fogão de uma casa, onde uma família do lugar me convida a compartir um pequeno ritual ao redor de uma mesa. E mais o eu vivi em uma pradera ou em outros recantos de trabalho diário em fincas gandeiras. Cenas de um cotidiano camponês vivido entre alguns cenários como os de uma aldea, um caminho de terra entre duas delas, um campo onde pastam vacas, outro onde o millo e o centeo crescem. E mais os adros de pequenas igrexas de pedra onde se reúnem pessoas ao redor de alguma celebração com prece e festa.

Que o leitor saiba reconhecer a diferença entre uma escrita e outra, em dois livros que não apenas por falarem de lugares do mundo tão distantes geograficamente do lugar onde vivo devem ser considerados como escritos entre fronteiras.

Em Crônicas de Ons estão alguns registros e imagens das sete aldeias da Paróquia de Santa Maria de Ons, uma das paróquias do Concello de Brión, não muito longe de Santiago de Compostela. Para que sobretudo o leitor brasileiro tenha uma visão de distâncias, lembro que pelo menos por quatro vezes cobri a pé o percurso - em meio a sempre encantadoras aldeias de pedra - entre Santiago e Brión, não raro buscando de propósito desvios e caminhos mais longos para conhecer uma pequena igrexa de pedras – como quase tudo por ali – uma aldea quase sem habitantes, um monte de carballos ou uma escondida beira do rio Tambre. Nunca caminhei mais do que uns trinta quilômetros. E para que se tenha uma outra ideia, lembro que a Galícia comporta um pouco mais de 29.000 aldeias, e é um apenas um pouco maior do que metade de nossa Ilha do Marajó, na foz do rio Amazonas.

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